O silêncio de um coração que parou de bater

Um.

Um amor.

Um amor de 40 anos.

Antonio e Glória conheceram-se nos tempos de faculdade, no Rio de Janeiro. Juntos, criaram uma linda família, com Felipe e Gabriela, filhos que lhes deram as netas Giovanna e Sophia.

O coração de Antonio Zumpichiatti, fanático pelo Fluminense, parou de bater.

Ele é só um número?

Uma.

Uma cozinheira.

Uma cozinheira de mão cheia!

Dona Francelina Ferreira, 77 anos, tinha uma forma especial de demonstrar carinho. Dedicada, tinha um superpoder: “Sabia fazer a melhor polenta frita do mundo”, conta a neta Suelen.

O coração da Francelina, moradora de Santa Isabel, parou de bater. Ela é só um número?

Um.

Um ás.

Um ás do baralho.

O paulistano João Tavares, 81 anos, era considerado o melhor jogador de baralho de todos os tempos. Porém, há algo que ele fazia melhor: ser marido, pai e avô. Descia morros em caixas de papelão com os filhos, assistia filmes com os netos.

O coração do João, o ás do baralho, parou de bater.

Ele é só um número?

Uma.

Uma energia.

Uma energia vital.

Era o que movia a taubateana Erika Regina Leandro dos Santos, 39 anos. Uma batalhadora, aprendeu cedo a encarar a vida de frente, sem jamais deixar de sorrir. Era aquela pessoa que, em cinco minutos, tornava-se a melhor amiga de todos.

O coração de Érika, a dançarina da alegria, parou de bater.

Ela é só um número?

Um.

Um coração.

Um coração alvinegro.

Doutor, eu não me engano, o coração do Seu Arnaldo Rodrigues Filho era corintiano. Mas, aos 74 anos, também cabia neste peito espaço para a caridade, lá na igreja de Santa Teresinha da Saúde, em São Paulo.

O coração do Arnaldo, fanático pelo Timão, parou de bater.

Ele é só um número?

Um.

Um Pai Nosso.

Um Pai Nosso, uma Ave Maria.

Religiosa, Gracinda de Castro Neves, 94 anos, só dormia depois do sussurro do Pai Nosso e da Ave Maria. Sorridente, era amada por seus quatro filhos, seis netos e já quatro bisnetos.

O coração de Gracinda, querida por todos, parou de bater.

Ela é só um número?

Um.

Um herói.

Um herói de jaleco.

O médico Alex Bello, 53 anos, amava salvar vidas. Mas o coração dele parou de bater.

Ele era só um número?

Não.

É uma das faces da pandemia da Covid-19, que já ceifou mais de 27 mil vidas no país.

Antonio, Erika, Alex, Francelina, João, Arnaldo, Gracinda… e tantos outros não são números. São um. São únicos.

Cada um deles era o Brasil.

Era um coração que parou.

Era cada um de nós..

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