Memes, debates e ‘Zap Zap’ na briga pelo voto

Debate. A eleição é o ponto máximo do sistema democrático, uma oportunidade indispensável para que a sociedade possa debater quais são seus principais problemas e que soluções pretende adotar, que prioridades deve definir e que linhas traçar para trilhar o caminho do futuro. É a hora de colocar frente a frente as mais diferentes correntes de pensamento político e ideológico, confrontar as visões por vezes antagônicas e diametralmente opostas que temos para a realidade de um mesmo país. Neste pleito de 2018, que tem papel fundamental para os rumos de uma nação mergulhada até o pescoço em uma crise política e econômica, nunca se debateu tanto. Infelizmente, quando o assunto é a corrida presidencial, principalmente neste segundo turno, o debate se restringe apenas às redes sociais, infestadas de ódio e amplamente contaminadas pelas fake news. Mas e o confronto entre os candidatos, cadê?

Infelizmente, ao que tudo indica, o eleitor brasileiro não terá a oportunidade de ver os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto frente a frente, discutindo, argumentando, discordando, questionando um do outro ao vivo em um debate.

Aliás, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) podem encerrar a disputa no dia 28 sem terem duelado nenhuma vez — no início da campanha, quando seu adversário chegou a comparecer a debates, o petista ainda não havia sido lançado pelo seu partido; depois, o capitão da reserva deixou de comparecer aos confrontos após ter sido vítima de um atentado em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro.

Depois de Bolsonaro argumentar que não podia participar dos debates por recomendação médica, hoje é evidente que trata-se, neste momento, de uma estratégia de campanha.

De acordo com o Ibope, em pesquisa que foi divulgada nesta segunda-feira, o candidato do PSL tem 59% das intenções dos votos válidos, contra 41% do petista — uma larga vantagem faltando 12 dias para a eleição.

Com a faca e o queijo na mão, por que arriscar? É o que defende a estratégia de campanha, ciente de que o ex-militar é conhecido por frases infelizes e polêmicas, que, em tese, poderiam provocar danos à candidatura.

Ele tem optado por fazer lives nas redes sociais — onde não está diante do contraditório — e participar de programas de televisão selecionados por sua equipe.

Quem perde é o eleitor, a democracia. Quer ver debate?

Por enquanto, neste 2º turno, só mesmo se for no WhatsApp.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *