Just another brick in the wall

O muro. Invisível porém palpável, o muro é construído tijolo por tijolo, dia depois de dia, de forma lenta e dolorosa, tendo o discurso de ódio e a ignorância como argamassa. O muro, pintado com a cor do extremismo ideológico ambidestro, divide os pais e filhos. Mães e filhos. Irmãos. Amigos. Parentes. Opõe ‘nós’, de um lado, e ‘eles’, de outro. Escava, no peito da mãe terra, trincheiras onde planejava-se a edificação de pontes para o futuro. Secciona e amputa. Tortura fatos, dissemina a confusão, a mentira, a barbárie e a histeria coletiva. Expõe preconceitos, incentiva o patrulhamento ideológico e coloca os iguais em lados diferentes, como inimigos — e não opositores. As eleições brasileiras, como se evidencia tanto nas redes sociais quanto no dia a dia fora delas, aprofundaram a divisão no país. Partido, um Brasil partido após a grave crise econômica, política, moral e que assassina o mito de que somos um povo cordial.

Essa divisão foi notícia na noite de terça-feira, quando o baixista Roger Waters, ex-líder da icônica banda Pink Floyd, apresentou-se em São Paulo para 45 mil fãs, em um show da turnê ‘Us Them’. O astro do rock, mundialmente conhecido por clássicos como ‘The Wall’ e outros tantos, foi vaiado e aplaudido ao criticar o candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Acirrada, a campanha eleitoral tem se mostrado uma guerra sem trégua. Notícias falsas, discurso de ódio contra as minorias, tiros disparados contra a caravana de Lula, o absurdo atentando contra Bolsonaro, troca de socos e pontapés entre os militantes, o assassinato de Moa do Katendê, brigas no Facebook, fake news…

Todos esses formam um conjunto de exemplos, just another brick in the wall. Apenas um tijolo a mais na construção do muro que nos divide. No entanto, diferentemente do que diz a letra de ‘The Wall’, isso é sinal de we need education.

E democracia.

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