É verdade, há um ataque de mentiras à democracia

Foto: José Cruz/Agência Brasil

É fato. Em uma tragédia anunciada, as fakes news interferiram — e ainda vão interferir mais — nas eleições brasileiras, transformando-se em uma arma cada vez mais letal à democracia, capaz de provocar — ou potencializar — uma onda de desinformação e histeria coletiva, além de pânico, medo, violência e intolerância em escala assustadora e preocupante. Trata-se de um modelo de terrorismo cybernético praticado contra a liberdade de opinião e pensamento, que já havia mostrado todo o seu poderio destrutivo mundo a fora, como nas últimas eleições nos Estados Unidos, México e no Brexit, ou na onda de violência em países como Índia e Sri Lanka, entre outros exemplos. No Brasil, já há pesquisas indicando que 75% dos brasileiros temem que o seu voto seja influenciado por notícias falsas. São três quartos de um eleitorado bombardeado diariamente por mentiras e boatos plantados estrategicamente, com o objetivo de demonizar determinados candidatos e beneficiar outros. Estão roubando a sua opinião.

As fake news, que têm 70% mais chances de viralizar, ‘bombar’ do que teria uma notícia verdadeira, encontraram nas redes sociais — ou hoje antissociais — um terreno propício para propagarem-se feito uma praga.

Nos EUA, nas eleições de 2016, a rede social Facebook foi a plataforma mais utilizada para a disseminação das notícias falsas na campanha de Donald Trump e foi jogada para dentro do escândalo da Cambridge Analytica — a companhia de marketing político que usou dados de 87 milhões de perfis para influenciar sua escolha.

No Brasil, apesar de também se propagar no Facebook, as fake news possuem como carro-chefe o aplicativo WhatsApp, que tem o impressionante número de 120 milhões de usuários no país.

O Whats é atualmente uma ferramenta muito presente no dia a dia da população. Segundo os dados do Datafolha, um percentual de 61% dos eleitores do candidato Jair Bolsonaro (PSL) se informam pelo aplicativo. O número é de 38% em relação a Fernando Haddad (PT). É muita coisa.

E a estratégia de espalhar notícias falsas nesse ambiente, infelizmente, tem se mostrado eficaz.

Mas e por quê? A mensagem é entregue dentro da bolha em que vive aquela — principalmente nos grupos familiares, de pessoas da confiança do receptor, de acordo com estudos recentes. Isso é ainda agravado pela dificuldade que uma parte da população tem para interpretar textos — somente 22% dos brasileiros que chegaram até a universidade têm condição plena de compreender e se expressar, revela o Indicador de Analfabetismo Funcional.

Esse clima de intolerância, que é turbinado pelas fakes news, está materializado na triste escalada de violência. Já são 56 agressões ou ameaças nos últimos dias, segundo os dados da Agência Lupa, sendo 50 ligados a simpatizantes de Bolsonaro e 6 de Haddad.

Até aqui, o Brasil tem mostrado-se absolutamente incompetente para coibir o problema.

Não se engane.

Nossa democracia hoje está sob ataque, um duro ataque de mentiras. É verdade. É preocupante.

É fato, isso não é fake.

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