O rei está nu em Brasília

Presidente da República, Michel Temer embarca na Aeronave Presidencial VC1 após Solenidade de Abertura Oficial da 84ª ExpoZebu. Foto: Marcos Corrêa/PR

Fugindo da Justiça, um bandido esconde-se em um reino e decide fingir ser um alfaiate, para manter-se oculto naquelas novas terras. E logo o forasteiro, sempre afeito a golpes e tramoias, espalhou aos quatro ventos que, de forma quase mágica, havia inventado uma roupa espetacular, inovadora, que só as pessoas inteligentes poderiam ver. Foi um alvoroço só, com aquela história correndo à boca miúda por todo o reino, chegando até aos ouvidos vaidosos do rei. O monarca então ordenou que o alfaiate fosse chamado ao palácio, onde encomendou um traje de gala feito com esse tecido nobre visível apenas pelos sábios. E o farsante, dando corda aos devaneios palacianos e sempre atento para ganhar aquele dinheiro fácil, topou e recebeu um baú com os materiais necessários para confecção da roupa — tecidos nobres, rolos e rolos de linha de ouro, entre outros itens.

E o bandido colocou-se diante do tear, fingindo ali trabalhar arduamente para criar o traje real.

Todos que por ali passavam, indagados pelo alfaiate malandro, afirmavam que a roupa estava ficando exuberante, pois ninguém queria parecer tolo, já que o traje só poderia ser visto por pessoas inteligentes. Mas e quando aquela encomenda ficaria pronta? O rei, que já estava impaciente, convocou o tecelão ao castelo. O bandido, então, levou ao rei o novo traje real, pondo-o sobre a mesa. ‘Que linda!’, exclamou o dono da coroa. Todos ao redor, temendo o estigma de burro, seguiram na mesma linha, elogiando o trabalho feito pelo costureiro.

O rei, então, preparou uma festa de grandes proporções no reino e usou sua roupa invisível. No meio da parada, vestindo apenas esse novo traje, o monarca foi interpelado por uma criança, que gritou: o rei está nu!

Esse conto de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen foi publicado em 1837, mas é atual no Brasil de Michel Temer. Em Brasília, capital de palácios decorados por devaneios e delírios do poder, ocupados por uma bajuladora corte fisiológica, o rei está nu. A crise de abastecimento provocada pela paralisação de caminhoneiros deixa claro que a sociedade não reconhece a autoridade de seu presidente.

Trocando em miúdos, pode-se afirmar hoje que a palavra de Temer e nada têm o mesmo peso.

Ontem, em uma reunião com a cúpula do Congresso Nacional, Temer pediu união. Nos bastidores, parlamentares já decretam o que todos já sabem: o governo terminou. Não precisa nem mesmo ser tão inteligente assim para ver. O rei está nu. E fica a dúvida: além de monarca, seria o emedebista também um alfaiate?.

 

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