De que sonhos somos feitos?

Do que são feitos os sonhos?

Esta é uma questão que vira e mexe rouba meu sono. Apesar de estar bem longe de ser um PhD no tema, já que dificilmente recordo-me daquilo que sonhei, creio que eles são de três tipos: aqueles que sonhamos enquanto dormimos, os que sonhamos acordados e, também, os sonhos de padaria, com bastante creme e sabor delicioso! Quando menino, fantasiava que os sonhos eram feitos com nuvens de algodão doce. Lá, naquele mundo confeitado e doce, tudo era absolutamente possível. As aventuras corriam soltas, como num filme de cinema.

Por aquelas bandas, já joguei com a camisa 10 do Corinthians em um Pacaembu lotado, fazendo gol de placa em decisão contra o Palmeiras e levantando os maiores títulos do mundo. Certa vez, em meio a uma paixão platônica infantil pela personagem Wednesday, da Família Addams, até vampiro sonhei tornar-me. É, tem gosto para tudo, não é?

Desta época, lembro-me que o meu primo Bruno, irmão que a vida me deu, costumava dormir com os óculos. Desde pequeno, ele tinha uma miopia das bravas, tendo que usar óculos com uma armação grossa, daqueles fundo de garrafa. De tão acostumado, Bruno até dormia com eles. Certa vez, um adulto então perguntou para ele: mas e por que não tira os óculos para dormir?

‘Quero enxergar os meus sonhos, ué’, respondeu Bruno, tendo nas palavaras uma pitada da lógica tão peculiar às crianças.

Bom, mas falando nele, recentemente tive a felicidade de sonhar com meus melhores amigos: Bruno e o Julio, meu irmão. Era um dia claro, com um sol de anos 80, com jeito de Sessão da Tarde e Eskibon. Nós estávamos em um corre-corre daqueles, em uma grande aventura, de volta à infância. Parecia tão real. Tive a oportunidade de matar essa saudade do Bruno, esse meu irmão que se foi tão jovem.

Seriam, então, os sonhos feitos de saudade? Um jeito engenhoso criado por Deus para que nós possamos rever aqueles que tanto amamos? Afinal, o que é a saudade senão a presença de um amor fisicamente ausente?

Os sonhos seriam, então, a janela que permite que o filho reveja seu pai, de quem tanta falta sente? Ou então, possibilitaria a mãe sentir novamente a presença e o perfume da filha? E o menino apaixonado, hoje tão só, reencontraria neles o seu amor e entregaria a ela a rosa mais bonita, juntamente com um bilhete: Não te enganou a primavera com beijos que não floresceram?

Do que são feitos os sonhos?

Seriam, talvez, os sonhos rascunhos de nossas vidas incompletas? E há quem diga que sonhar nada mais é do que acordar para dentro. Quanto pesa um sonho? Como pesá-lo? E quantos deles caberiam em um só coração?

E em um coração só?

Há quem diga que o homem é do tamanho de seus sonhos.

Do que são feitos os sonhos?

Confesso que não sei. Na verdade, tenho a impressão de que a questão talvez esteja mal formulada. Cada vez mais creio que a pergunta correta é: de que sonhos nós somos feitos?