Farra das viagens: prova dos 9

Após 14 meses de apuração, os jornais OVALE e Gazeta de Taubaté iniciaram no dia 21 de julho a publicação da série de reportagens intitulada ‘Farra das Viagens’, que escancarou de forma inapelável um esquema criado na Câmara taubateana para que parlamentares engordassem as verbas para reembolso em viagens oficiais. A conta , é claro, era paga pelo contribuinte.

As reportagens de OVALE  e Gazeta, como prega o jornalismo independente e forjado pela credibilidade, estão embasadas em notas fiscais fornecidas pela Câmara à reportagem, depois de uma determinação judicial.

Apesar de ser público, afinal o eleitor tem o direito de saber como o seu dinheiro é gasto, o acesso a tais informações foi inicialmente negado aos jornais, que então recorreram ao Judiciário, representando os interesses da sociedade. Com a vitória nos tribunais, as notas foram liberadas.

E logo ficou claro o que a Câmara tentava esconder. Dez dos 19 vereadores estão citados no escândalo, que abalou as estruturas políticas da cidade. Confira o flip: http://flip.ovale.com.br/edicao/impressa/1444/21-07-2018.html?all=1

Obviamente, antes da publicação da primeira reportagem, como estabelecem as normas basilares do bom jornalismo, a reportagem de OVALE e Gazeta de Taubaté procurou os parlamentares citados. Inicialmente, na primeira publicação, foram citados oito — TODOS eles procurados para que pudessem se pronunciar. Depois, ao longo da semana outros dois vereadores foram incluídos na denúncia.

Curiosamente, além de não explicarem gastos esdrúxulos como, por exemplo, o consumo de 4,4 quilos de comida em uma só refeição, alguns dos parlamentares acusaram os jornais de não procurá-los, não dar espaço para que se posicionassem. Talvez seja amnésia. Vamos ajudá-los, então.

Abaixo os comprovantes do contato feito pela reportagem antes da publicação da denúncia sobre a Farra das Viagens. Os contatos foram feitos no dia 19 de julho (para os oito primeiros citados) e a reportagem publicada no dia 21. Na semana seguinte, antes de serem citados (não foram citados na primeira matéria), outros dois vereadores (Alexandre e Graça) foram ouvidos. O contato com o vereador Bilili de Angelis (PSDB) foi feito via telefone.

Os parlamentares que não responderam o Whatsapp foram procurados depois por outros meios: ligação no celular, ligação no gabinete e e-mail.

DIEGO FONSECA (PSDB)

VIVI DA RÁDIO (PSC)

ALEXANDRE VILLELA (PTB)

BOBI (PV)

GORETE TOLEDO (DEM)

JESSÉ SILVA (SD)

DENTINHO (PV)

DOUGLAS CARBONNE (PCdoB)

GRAÇA (PSD)

Já na primeira reportagem, em nome do jornalismo plural e ético, os jornais OVALE e Gazeta dedicaram uma página para o chamado ‘Outro Lado’ dos vereadores citados no escândalo. O resto? É conversa.

Parlamentares negam irregularidade, mas não explicam erros nas notas

 

 

 

 

 

A verdadeira voz do Vale

De quem é a voz?

De quem é a voz impressa nas páginas de OVALE?

De quem é a voz que viraliza nas plataformas do jornal, o líder de alcance e engajamento nas redes sociais de todo o Vale do Paraíba, com mais de 150 mil seguidores? De quem é a voz que questiona supersalários, votações ‘vapt-vupt’ feitas na calada da noite, contratos suspeitos firmados pelo poder público, obras e promessas em atraso, farras com o dinheiro público?

De quem é a voz daqueles que, em nome da transparência, foram até os tribunais para garantir, por exemplo, que os taubateanos soubessem as patuscadas praticadas com dinheiro público por parlamentares?

Tem político comendo quatro rodízios por aí, enquanto outro lancha seis sanduíches e ainda encontra espaço para tomar refrigerante, suco e um café. Tem gente que se lambuza com o dinheiro do contribuinte. E, nesses casos, de quem é a voz que investiga, apura com isenção e exatidão, com a pluralidade obrigatória ao bom jornalismo?

De quem é a voz que, com ética e respeito ao contraditório e ao pluralismo da informação séria, expõe, traz à luz dos fatos o que os políticos tentam desesperadamente manter debaixo do tapete? De quem é a voz que brada, por vezes isoladamente, por jornalismo independente, apartidário e absolutamente imparcial?

De quem é a voz daqueles que lutam diariamente para trazer à luz o que é mantido às sombras? Afinal, a democracia morre na escuridão. E ainda há muita coisa escusa por aí, não é verdade?

Afinal, de quem é a voz?

Nestes tempos de fake news, quando este tão violento tsunami de boataria invade nossa timeline, o jornalismo crítico, imparcial e independente torna-se, absolutamente, imprescindível. Absolutamente.

Até porque, se existe imprensa séria, por outro lado e falando muito francamente, há também a imprensa de péssima qualidade, que ao invés de informar os leitores, busca confundi-los. Nas ruas de Taubaté, de forma folclórica, já se acostumou a denominar esta prática como ‘imprensa movida a rango’. Já tem até gente defendendo essa farra das viagens oficiais na Câmara — aquela paga com dinheiro público.

Como se vê, além das notícias falsas, o leitor ainda precisa driblar lobos travestidos em pele de cordeiro, veículos que na prática, de costas para o interesse público, operam como assessoria de imprensa.

Será que andam com a barriga cheia? Mas também, por outro lado, do que vale a voz que ninguém ouve? O leitor, atento aos fatos, já tem os ouvidos treinados para identificar a voz da credibilidade.

Por isso, para separar o joio do trigo, o jornalismo sério e crítico, que prima pela verdade acima de qualquer interesse, é imprescindível. Afinal de contas, quem se curva diante dos opressores, mostra o traseiro aos oprimidos.

OVALE, orgulhosamente, empunha a bandeira do jornalismo crítico e imparcial no Vale. Como dizem os mais novos, é um jornalismo ‘top’.  Afinal, “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que publique. Todo o resto é publicidade”. De quem é a voz? É sua, leitor. Ela é nossa.

Esta é a verdadeira voz de OVALE.

 

Pé de moleque, coração de capotão

Todo pé de moleque tem coração de capotão, chuta uma bola de meia e veste a ’10’ da Seleção, pintando fantasia no chão de terra batida e ilusão. E o coração de capotão bate-bate dentro do peito de um campinho qualquer. Bola? Bom, ela pode ser de papel, plástico, capotão, ser oval, redonda. Aceita-se qualquer esfera que — tão gentilmente — aceite a honra de ser a pelota da vez.

Vale desde a laranja caída, esquecida no fim da xepa na feira de domingo, até o colorido balão da festinha de aniversário, repleto de ar e esperança. É, como se vê, a bola nem mesmo uma bola precisa ser. Ali, naquele campinho, pouco importava se ela era de couro ou oficial, à prova d’água ou sei lá o que.

No coração de capotão, as bolas — todas elas — são feitas de uma mesma matéria-prima, prezado leitor. De pé de moleque.

Talvez por isso, ainda mantenha este espaço especial para as lembranças mais doces dos tempos em que a praça do Bom Conselho, em Taubaté, era palco do bate-bola da turma.

Isso, como meus fios de cabelo branco já denunciam, ocorreu no fim dos anos 80 e início dos 90 ali o bicho pegava! A vida naqueles tempos era definida na base do 10 minutos ou dois gols. No asfalto, com um tijolo ou um pedregulho, fazíamos as linhas, que, inutilmente, delimitavam o nosso campinho de sonhos.

Sim, inutilmente. Afinal, como limitar o espaço onde, no melhor estilo Coutinho/Pelé, a realidade tabelava com a nossa imaginação? Coitadas das linhas, tortas como as pernas de Garrincha e incapazes de nos parar, como os marcadores que estatelavam-se no chão atrás do Mané.

Naquele campo, fui o camisa 10. Me vesti de Pelé, Maradona, Zico, Neto e outros. Fui o maior craque do (meu) mundo de menino. Sem importar-me com os placares. Ou com o tempo — seja o tempo do relógio ou o tempo do céu. Podia ser debaixo do sol. Ou de chuva. E aí, vamos jogar? Não havia tempo ruim. Nem o primeiro e nem o segundo. E as traves eram feitas de tijolos ou chinelos, que de maneira polivalente também podiam ser usados como luva pelos goleiros.

A escalação do meu time tinha meu irmão Julio, Dimas, Fernando e Chiquinho (ele era da rua do Colégio, mas compramos seu passe por um punhado de balas). Esse era o ‘Time da Praça’. Mais tarde, chegaram nomes como o de Lu e Hil, Gordo e Sandrinho.

Ali, amizade e companheirismo trocavam passes com uma precisão germânica. Éramos um por todos e todos por um. O tempo, porém, é tão implacável quanto o matador diante do arqueiro.

No cronômetro da vida, todos crescemos. Cada um de nós pegou seu caminho. Uns foram pela ponta direita. Outros pela esquerda ou pelo meio. Há até quem já tenha deixado o campo de jogo, sendo substituído pela ausência.

Mas nem todo o tempo é capaz de apagar essas memórias. Afinal, determinadas partidas não têm fim. Elas continuam sendo jogadas aqui dentro do meu peito, tabelando com meu coração de capotão. Essas partidas imortais batem bola no campinho de terra batida chamado saudade.