Nas ruas de São Francisco

Depois de muito tempo distante, meus olhos voltaram a percorrer a cidade onde nasci e fui criado. Disposto a explorar este retorno interior, percorri ruas e avenidas de Taubaté na manhã deste domingo para observar a vida passar (e achar um bom café). Encontrei muitas as portas fechadas. E fui andando, andando, andando… e vendo que — implacável — o tempo deixou marcas profundas em minha terra.

Onde está, afinal, a velha residência da praça Santa Terezinha, com arquitetura alemã, que quando garoto eu imaginava ser a casa da Branca de Neve? Virou farmácia. E aquele prédio lindo no centro, um ícone taubateano? Tornou-se igreja. Quantas igrejas e farmácias surgem a todo instante. Serão elas suficientes para acudir a sociedade adoecida?

Pensei com meus botões: eu conheço a cidade a ponto de enxergar nela além do que os olhos veem. Vejo o que já não mais está lá. Será que ela, após tantos anos, me vê também? Me reconhece?

Fui até a Catedral de São Francisco das Chagas, na praça Dom Epaminondas — onde nasceu Taubaté, batizada originalmente como São Francisco das Chagas de Taubaté, em 1645, mesma data da construção da igreja. Sentei-me no último banco.

Hoje, a missa era especial. Havia uma cerimônia de batismo coletivo.
Quantas crianças já foram batizadas ali? Quantas vidas se cruzaram? Quantos casamentos Deus, com a aliança do espírito santo, já abençoou debaixo daquele teto, repleto de afrescos? Fiz uma prece.
Sai antes do fim da missa. Tomei um café e, antes de ir pra casa, fiz mais uma prece na igreja que foi palco do meu próprio batizado, na praça Santa Terezinha.
Voltando para casa, me dei conta de que a palavra batismo esteve no cerne do meu dia. Batismo: é o primeiro sacramento do cristianismo, que apaga o pecado original de quem o recebe e a este confere o caráter de cristão.
Isso me lembrou de um trecho da história de São Francisco.
Há um belo trecho, em que ele está na cadeia e começa a ler o evangelho. E percebe que é preciso voltar a ver com o coração.
Confira:
“Mas é possível ver com o coração?”, questionou Francisco.
“Basta amar tudo aquilo em que seus olhos pousarem”, respondeu seu colega.
“E se o que eu olhar for injusto e impuro?”, perguntou Francisco.
“O importante é que seu olhar seja puro”, respondeu o prisioneiro.
E me lembrou também que todo dia é um renascimento.
E que as ruas por onde andei, eu levo no meu olhar.
* Abaixo trecho do poema “Nas ruas por onde andei”, que estará no próximo livro do editor-chefe de OVALE.

“Nas ruas por onde andei
Tentando me encontrar
As pegadas que deixei
Eu bem sei
Já não estão lá
Nas ruas por onde andei
Ou na areia à beira mar
Nem o vento bem eu sei
É capaz de apagar
As ruas por onde andei
Eu levo no meu olhar”

Quem foi que atirou a primeira pedra?

Curtir ou descurtir?
Polegar para cima ou para baixo? Absolver ou condenar? Vida ou morte?
Nos tempos atuais, em que o mouse transformou-se em malhete, é difícil responder a essas perguntas. Afinal, hoje nós vivemos em uma arena romana com Wi-fi, com uma violenta multidão ávida por compartilhar o sangue alheio, derramado pelo outro
em uma transmissão ao vivo pelo Facebook. E isso tudo, obviamente, em nome dos bons e velhos costumes, da defesa dos pilares do anfiteatro da hipocrisia.
Se der para postar uma selfie, mostrando a arena lotada e leões devorando pobres
cristãos, então melhor ainda. É garantia de mais likes.
Só ri da cicatriz aquele que jamais foi ferido“, afirmou William Shakespeare no clássico Romeu e Julieta. Pois é…
Sentados no trono, nossos césares modernos se divertem em tempo real desfrutando
deste delicioso banquete oferecido pela natureza humana, embriagando-se do choro
do vizinho, por quem já não sentem compaixão. Pelo contrário. Torcem pelo tropeço,
para que ele se estabacar no chão, afinal isso pode render um bom vídeo. Ou um memeviralizar. Seria perfeito, não? “Não julgueis, para que não sejais julgados. 2Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós”.  Neste barulhento tribunal, Mateus 7.1 não é pregado. Todos vestem toga. Preenchem um corpo meio vazio, com um copo meio cheio de seu próprio veneno. Alimentam-se do outro para aplacar o vazio e acalmar a sua angústia existencial, convencendo-se de que “são melhores” e “mais virtuosos”.
Estão a salvo.
Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las, disse certa vez Madre Teresa de Calcutá.
Não, esse discurso hoje não cola.
Afinal, o tempo é curto. Nessa imensa biblioteca só há espaço para as orelhas de
livros. Todos falam. E ninguém quer ouvir. Só há verniz. Um filtro para a foto e
uma felicidade fictícia e teatral, encenada pelo personagem que criamos de nossa
própria humanidade. Ser ou não ser? Que tolice, Hamlet.
Parecer ou não parecer, eis a questão, pobre príncipe.
“Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus“, sentenciou o jornalista uruguaio Eduardo Galeano, que era escritor apesar de não ter sido um youtuber.
Neste palácio da Justiça, não há trégua: bate-se também na outra face.
E até mesmo em nome de Deus. Ou do time de futebol, da preferência política, por conta da orientação sexual, da cor da pele. Por qualquer coisa.
Sim, claro, disso todos nós já sabemos.
Mas eu ainda tenho uma dúvida: quem foi que atirou a primeira pedra?

** João 8:1-11  Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras. 2.  Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo. 3.  Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos 4.  e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. 5.  Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? ” 6.  Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. 7.  Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. 8.  Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. 9.  Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. 10.  Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? ” 11.  “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”.

Os passarinhos e as rosas de março

* Na foto: Rafael, Marina, Malu, Julio, Santi, Guilhermo e Bruno, ao lado da avó Ana

Éramos inseparáveis. Tecnicamente, primos. Mas irmãos é a palavra que melhor nos define. Apesar dos quilômetros de distância entre nós, crescemos juntos. Eu nascido em Taubaté, no dia 30 de janeiro de 1981. Já o Bruno era carioca, do dia 4 de março de 1982. Aprendemos juntos a sonhar. Primeiro jogaríamos no meu Corinthians e depois no Flamengo, clube que ele tanto amava. Quando nos encontrávamos, nas férias escolares, o papo rolava até altas horas da madrugada.

Falávamos de videogame, futebol de botão, figurinha ainda posso sentir o cheiro daqueles dias. Bruno era um menino inteligente. Desde pequeno ele usava óculos com uma armação grossa e dormia com eles. ‘É porque eu quero ver os meus sonhos’, respondia sempre que era indagado sobre esse estranho costume. Recordo-me que ele adorava Fanta uva e tinha o hábito de comer pão com açúcar no café da manhã.

No futebol, quando os Codazzi entravam em campo ficava ruim para os adversários. Julio, o meu irmão caçula, era uma semana mais novo que meu primo e completava o trio. Escondidos, assistíamos programas adultos na casa da minha avó Ana, lá no Rio, ou saqueávamos a geladeira na casa da tia Gabi, durante a madrugada.

Um dia, no entanto, tudo mudou drasticamente, com uma duríssima lição: a vida é imprevisível. Enquanto jogava bola com amigos, Bruno sentiu uma forte dor no joelho direito. Ele, que tanto sonhava em vestir o manto rubro-negro, foi então diagnosticado com câncer na perna. Era o ano de 1996.

Vieram as sessões de quimioterapia, a primeira operação. E, em todos os momentos, estivemos lado a lado, lutando juntos uma duríssima batalha. Queria poder protegê-lo. Depois que o tumor foi retirado, tudo parecia resolvido. Mas, meses depois, a equipe médica detectou que o câncer ainda não havia sido eliminado. Veio a amputação da perna. Dos sonhos. No entanto, sem reclamar, ele ia de muletas para o Maracanã. Agora ele queria ser repórter esportivo.

Em 1999, porém, os médicos descobriram o processo de metástase. De forma, infelizmente, incontrolável. Bruno não podia mais se levantar do sofá e, para ajudá-lo, eu ficava ao seu lado o dia todo. Enquanto sonhávamos com a cura, me recordo de ouvir uma noite, após dar a ele uma dose de morfina, meu primo sussurar, conversando com Deus: ‘Até quando?’. Chorei. Entendi que estávamos sendo egoístas em querê-lo conosco.

Em 3 de março de 2000, ele se foi feito um passarinho, na véspera do aniversário de 18 anos. Há dias em que a falta que sinto dele se acentua, como hoje.

Quando nos vemos em sonhos, acordo com passarinhos na minha janela. E eles cantam linda e fragilmente. Como é a vida.

P.S. Todo dia 4 de março, data do aniversário do Bruno, minha mãe vai à varanda aqui de casa, em Taubaté, logo nas primeiras horas da manhã e se encanta. Há sempre uma rosa linda, que acaba de florescer.

** Adaptação de crônica publicada no livro Cartas Perdidas em um Mar de Palavras, de autoria do jornalista

Livre como um pássaro

Bruno, meu irmão Julio e eu durante as férias no Rio

 ‘Ele se foi feito um passarinho’.
Essas foram as palavras da sentença que estou condenado a levar comigo até o fim. Naquela manhã de verão, dia 3 de março de 2000, elas foram usadas por minha mãe para anunciar, após anos de luta, a morte do meu primo Bruno, então com 17 anos.
Eu era um ano mais velho, Bruno e meu irmão tinham a mesma idade.
Mais do que primos, sempre fomos irmãos inseparáveis.
E queríamos que assim fosse por toda a vida. Até o futuro já estava planejado. Primeiro, Bruno e eu jogaríamos no Corinthians, meu time do coração. Depois, juntos, iríamos para a Gávea, jogar pelo Flamengo, clube que ele tanto amava. Mais tarde, quando a falta de habilidade com a bola tornou-se evidente, decidimos recalcular a rota e combinamos de nos tornarmos jornalistas, além de escritores.
Em 2017, passados 17 anos de nossa despedida, recebi uma velha agenda que pertencia a ele, justamente do ano 2000. Com olhar aguçado de repórter, ele registrava seu dia a dia, fazendo críticas de filmes e anotando frases marcantes que ouvia, tudo com muita precisão.
Bruno também guardava cartas (inclusive achei uma que ele enviou para mim) e mais um montão de papéis variados, como folhetos de quimioterapia e santinhos com orações, além de recortes de jornais e outras coisas.
Eu já li e reli a agenda, de cabo a rabo. Tem de tudo nela, só não consegui encontrar uma frase ou palavra sequer de lamentação, queixa ou tristeza. Nada. Nadica de nada.
Mesmo depois de tanto tempo, meu primo segue me ensinando lições preciosas. Às vezes, reclamamos tanto de nossos problemas banais e não nos damos conta…
Uma data em especial me chamou a atenção. Na página ao lado de 3 de março, havia o dia 4 (obviamente), onde Bruno escreveu que completaria 18 anos.
Infelizmente, não deu tempo. Costumamos pensar na vida de um homem como um livro com começo, meio e fim. Mas será que é assim?
Penso que, em geral, as vidas são histórias incompletas. 
Interrompidas.
‘Free as a bird’, diz o refrão de uma canção inacabada de John Lennon, morto quando foi para casa dar um beijo de boa noite no filho Sean. Semanas após o crime, enquanto multidões entoavam os versos de Imagine, os gatos do beatle esperavam por ele dia e noite, parados perto da porta do apartamento no edifício Dakota.
Quando li sua agenda, 17 anos depois, aquele Bruno de 17 anos me ensinou que a vida não deixa nada – absolutamente nada – agendado. Só temos o agora.
E por vezes nos esquecemos e deixamos para mais tarde, ao invés de vivermos como se não houvesse amanhã — “porque se você parar pra pensar, na verdade não há”, cantava Renato Russo, ídolo do meu primo.
Ou esquecemos de dizer que amamos. A verdade é que às vezes a saudade aperta.
Mas sempre que sonho com o Bruno, acordo com passarinhos na janela. E eles estão livres. Cantam e voam. São como um sopro. São delicados como a vida.
Em meu peito, peço apenas que entrem. Afinal, não tenho nada agendado.
E a porta está sempre aberta para quem é de casa.

MORREU COMO SOLDADO

Após 34 anos no Exército, o experiente capitão travou a batalha mais dura de sua vida nesta quinta-feira. Uma guerra particular, que luta de maneira atroz nas trincheiras da alma. O militar, que já havia participado de aproximadamente 20 operações de resgate ao longo de sua carreira, teve como sua última missão participar das buscas pelo filho, o soldado da Polícia Militar Leonardo Assunção, 29 anos, que havia desaparecido no Paraíba na tarde da última terça-feira, durante uma perseguição na zona norte de São José dos Campos a um suspeito de tráfico — que também sumiu nas águas turvas do rio. Ao avistar o corpo do filho, localizado na altura da Vila Cristina, o pai o abraçou. Depois, emocionado, ele enviou um áudio aos amigos para agradecer as orações.

‘Participo da resgate desde a época de soldado, mais de 20, talvez, e Deus quis que minha última missão fosse resgatar meu filho e assim fiz, estou levando ele para casa. Queria um motivo para ir para reserva, talvez esse seja o motivo. Acho que cumpri minha última missão”, disse o pai em um trecho da mensagem de áudio.

A morte comoveu a RMVale. ‘Encontrei meu filho. Infelizmente o rio Paraíba venceu a briga, mas tiramos ele d’água, dei um abraço nele. Minha esposa pediu e eu abracei meu filho’, diz um outro trecho.

O policial, integrante do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), estava havia cinco anos na corporação, para quem fazia juras de amor nas redes sociais, e vinha de uma família de militares — além do pai, também tem um irmão na ativa.

Em uma postagem recente, feita no seu perfil no Facebook, Leonardo postou uma foto do Baep e a seguinte legenda: ‘És a nobre infantaria, das armas a rainha, por ti daria a vida minha’, canção da Infantaria do Exército Brasileiro.

O soldado do Baep morreu no cumprimento do dever, amava sua profissão — que tem como sua função proteger e servir ao cidadão. Um exemplo digno em tempos nebulosos, em que nosso país vive uma grave e profunda crise ética, sem precedentes. Na RMVale, que é a região mais violenta de São Paulo, a imensa maioria das tropas luta incansavelmente contra a criminalidade produzida pela miséria e questões sociais, enxugando gelo e driblando a falta de estrutura e recursos de todos os tipos.

Os bons exemplos devem ser valorizados.

A cobertura de OVALE mostrou que é possível informar, em primeira mão, aliando precisão, exatidão jornalística e a sensibilidade, a capacidade de emocionar, de tocar o leitor.

No trecho final da mensagem de áudio enviada aos seus amigos, o pai de Leonardo ainda acrescentou: ‘são poucos pais que tem a honra de ver o filho sendo homenageado pela presença de mais de 100 militares de todas as forças. Muitos pais perdem o filho para a droga, mas Deus me deu essa honra de ver meu filho morrer no cumprimento do dever. Um verdadeiro soldado’.

Que descanse em paz.

* Editorial de OVALE desta sexta-feira.

Zona leste lidera 7 dos 10 crimes mais graves em São José

São José dos Campos vive uma terça-feira (dia 9) violenta. Por isso, para aprofundar a discussão sobre a violência no município, o blog reproduz reportagem com o mapa do crime na cidade. A zona leste lidera 7 dos 10 crimes mais violentos. Confira abaixo:

Caído sobre o asfalto quente, no meio da rua Ayrton Senna da Silva, o adolescente assiste sua vida se esvair em sangue, rapidamente. O menino de 16 anos foi encontrado pela mãe e socorrido, mas não resistiu aos ferimentos, entrando para as estatísticas da violência na manhã de quarta-feira, após ter sido atingido por cinco vezes — três tiros no peito e dois nas costas — no bairro Jardim São José 2, na região leste de São José dos Campos.

A área lidera o mapa da violência no município, segundo os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, sendo a recordista em 7 dos 10 principais índices criminais — incluindo, assassinatos, roubos e estupros.

A secretaria divide o município em oito partes, de acordo com os distritos policiais correspondentes: 1º DP (centro), 2º DP (Jardim Paulista), 3º DP (31 de Março, incluindo Campo dos Alemães e bairros próximos dali na zona sul), 4º DP (Santana, região norte), 5º DP (Eugênio de Melo, zona leste), 6º DP (Vista Verde, incluindo o restante da zona leste, como Novo Horizonte, Jardim São José, Putim e outros), 7º DP (Bosque dos Eucaliptos, zona sul) e 8º DP (zona oeste).

A zona leste é dividida pela Via Dutra entre o 5º e o 6º DPs — o primeiro abrange os bairros do lado da GM, o segundo os bairros do lado da Revap.

VIOLÊNCIA.

Entre janeiro e novembro de 2017, a área do 6º DP liderou o ranking de homicídios: foram, 20 mortes, com o 3º DP (zona sul) na sequência com 10, seguido pelo 4º DP (6), 1º DP (4), 7º DP (3), 5º DP (2) e 2º DP (1) — a zona oeste teve zero.

A área do 6º DP também liderou estupros, assaltos, roubos de carga, roubos de veículo, tentativa de homicídios e latrocínio (empatado).

Como revelou reportagem de OVALE, apesar ser considerada a mais violenta, a zona leste tem três viaturas de radiopatrulhamento para 139 bairros. “O cobertor é curto”, afirmou um policial que atua na área.

A região do 1º DP é recordista em furtos, o 3º DP lidera os furtos de veículo e o 4º DP foi o único a ter roubo de banco.

Batalhão da Polícia Militar destaca que a área é alvo de operações com frequência

Em nota, o 46º BPM-I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), responsável pela segurança nas regiões sul e leste de São José dos Campos, informou que mantém diversas modalidades de policiamento, como a Força Tática, Rocam (com motos), ronda escolar e outras.

“[As formas de policiamento] foram suficientes para reduzirem em 28% os índices de roubos e 40% dos índices de homicídios e latrocínios no último trimestre deste ano, isto se compararmos ao mesmo período do ano anterior”, diz nota da PM.

Além das operações locais, que são baseadas na análise de dados, a corporação realiza ações de combate e prevenção aos crimes na região, como a Mão de Ferro, Fecha Quartel, Cavalo de Aço e Saturação.

* Matéria publicada na edição do dia 5 de janeiro de 2018.

MAPA DOS CINCO PRINCIPAIS CRIMES

Homicídios: 6º DP (20 vítimas), 3º DP (10), 4º DP (6), 1°DP (4), 7º DP (3), 5º DP (2), 2º DP (1) e 8º DP (0).

Roubos: 6º DP (679 casos), 3º DP (611), 1º DP (424), 7º DP (364), 5º DP (273), 4º DP (244), 2º DP (218) e 8º DP (138).

Roubos de veículo: 6º DP (242), 3º DP (157), 7º DP (91), 5º DP (63), 1º DP (41), 4º DP (39), 2º DP e 8º DP (31 casos cada).

Furtos de veículo: 3º DP (527), 1º DP (464), 7º DP (479), 6º DP (204), 8º DP (167), 2º DP (165), 4º DP (155) e 5º DP (142).

Furto: 1º DP (1.182), 3º DP (990), 7º DP (846), 6º DP (751), 4º DP (604), 2º DP (524), 8º DP (488) e 5º DP (397).

* Fonte: Secretaria de Segurança Pública de São Paulo — período de janeiro a novembro de 2017 (os dados de dezembro serão divulgados no próximo dia 25).

 

 

Topa tudo por dinheiro em Brasília

(Brasília – DF, 03/01/2018) Presidente da República, Michel Temer durante gravação para o programa de rádio A Voz do Brasil.
Foto: Beto Barata/PR

Quem quer dinheiro? Mesmo alegando falta de recursos nos cofres públicos, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) abriu o baú em 2017, para a felicidade da bancada governista. Foi um verdadeiro show de prêmios, no melhor estilo para ganhar é só rodar… ou melhor, é só votar. No total, o Palácio do Planalto liberou cerca de R$ 10,7 bilhões em emendas parlamentares no ano passado — alta de 48% na comparação com o ano de 2016. Nos bastidores de Brasília, o lema nos corredores do Congresso Nacional era simples: se a denúncia contra o governo não passa, o Executivo então repassa.

É o tentação.

Explicando: Temer, no último ano, foi alvo de duas denúncias graves perpetradas pela Procuradoria-Geral da República. O peemedebista, que foi acusado de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, queria ‘manter isso’ (leia-se governo, o cargo) e precisou abrir os cofres públicos, escancarando a porta da esperança para os fisiológicos políticos que gravitam em torno do poder.

Só compra quem tem e quem, de uma forma pouco republicana, achar o preço certo. Apesar do alto custo, Temer conseguiu escapar da Justiça dos homens e se manter no cargo. Um poço sem fundo, de milhões. E a fonte não secou. Está longe disso, como o secretário de Governo, Carlos Marun, deixou claro ao pressionar governadores para obter apoio para a Reforma da Previdência, ao liberar recurso para as unidades federativas.

E falando na reforma…

Temer se reuniu em São Paulo com Silvio Santos, empresário proprietário do SBT. No melhor estilo dos programas ‘Bailando por um sonho’, ‘Eu preciso de ajuda’, ‘Namoro na tevê’ ou ‘Vamos fazer média’, o peemedebista quer o apoio do apresentador para vender ao público a ideia de que a reforma é positiva. Um lobby, com o presidente participando de programas populares e defendendo mudanças na previdência. Se rolar… rolou. Se colar… colou.

Parece até pegadinha. O Palácio do Planalto corre, de forma desesperada, contra o tempo e quer aprovar a reforma em fevereiro, tentando conquistar os 308 votos necessários na Câmara dos Deputados.

Nesse show do bilhão, o eleitor terá que assistir seus representantes responderem: topam ou não topam a reforma? Mais uma vez, a conta vai ficar com o trabalhador brasileiro, que só assiste — passivo — a esse espetáculo horripilante em silêncio, esquecendo-se de que possui o controle remoto nas mãos.

Em outubro, será que o Brasil vai trocar de canal?.

Vale tem 11 das 35 cidades com mais homicídios no interior de São Paulo

Região mais violenta do estado, a RMVale tem 11 das 35 cidades com mais homicídios no interior de São Paulo. É o que revela o levantamento realizado por OVALE, com base em dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

São José dos Campos, Taubaté e Jacareí estão no ‘Top 10’ das mortes no interior, com respectivamente a, e 10ª posição (veja ranking abaixo). Campinas é disparadamente o município com o maior número de vítimas: são 144.

Os dados correspondem ao período de janeiro a novembro de 2017.

O ranking tem ainda outras oito cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte: Lorena (14º), Caraguatatuba (15º),  Guaratinguetá (18º), Pindamonhangaba (20º), São Sebastião e Tremembé (empatadas em 24º), Cruzeiro (32º) e Caçapava (34º).

Em 2017, de janeiro a novembro, a região teve 292 homicídios — é o recorde absoluto no interior paulista, em números absolutos, e é proporcionalmente a taxa de homicídios mais alta em todo o estado.

Confira abaixo o ranking de homicídios no interior de São Paulo:

1º Campinas: 144 mortes

2º Sorocaba: 50 mortes

3º São José dos Campos: 46 mortes

4º Taubaté: 38 mortes

5º Ribeirão Preto: 34 mortes

6º São José do Rio Preto: 34 mortes

7º Hortolândia:30 mortes

8º Sumaré: 29 mortes

9º Bauru: 28 mortes

10º e 11º Jacareí e Franca: 25 mortes cada

12º e 13º Praia Grande e São Vicente: 24 mortes cada

14º Lorena: 23 mortes

15º, 16º e 17º Caraguatatuba, Guarujá e São Carlos: 22 mortes cada

18º Guaratinguetá: 21 mortes

19º Rio Claro: 20 mortes

20º e 21º Pindamonhangaba e Araçatuba: 19 mortes cada

22º e 23º Piracicaba e Limeira: 16 mortes cada

24º, 25º, 26º e 27º São Sebastião, Tremembé, Americana e Itanhaém:15 mortes cada

28º, 29º, 30º e 31º Jundiaí, Paulínia, Marília e Santos: 14 mortes cada

32º e 33º Cruzeiro e Cubatão: 13 mortes cada

34º e 35º Caçapava e Itu: 12 mortes cada

Fonte: Secretaria de Segurança Pública de São Paulo — Dados referentes ao período entre janeiro e novembro de 2017. As estatísticas de dezembro, que fecham os dados do ano passado, serão publicadas no próximo dia 25.

É de chorar, Jefferson

Às lagrimas, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, o presidente nacional do PTB, se emocionou nesta quarta-feira ao conceder entrevista para falar sobre a nomeação da filha, a parlamentar Cristiane Brasil , para o posto de ministra do Trabalho — que estava vago desde a saída de Ronaldo Nogueira, também petebista, no último dia 27. O nome de Cristiane surgiu em uma conversa entre Michel Temer, único presidente já denunciado no exercício do mandato, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também alvo de denúncias, e Jefferson, pivô do Mensalão, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, que desde 2016 está longe da prisão graças a um indulto presidencial.

“Estou com orgulho e surpreso, é emoção que dá. É um resgate [da sua memória, desgastada após o Mensalão]”, declarou o presidente nacional do PTB aos jornalistas, quando deixava o Palácio do Jaburu — o mesmo Palácio em que, nos porões, Temer recebeu Joesley Batista, dono da JBS, na conversa sobre o ‘tem que manter isso viu’.

O nome de Cristiane foi escolhido pelo Palácio do Planalto depois do veto do senador José Sarney (PMDB) — ex-presidente também habitué em denúncias de corrupção — à indicação de Pedro Fernandes (PTB-MA).

Jefferson, é sempre bom lembrar, foi pivô do Mensalão, em 2005, sob a acusação de vender o apoio do PTB à aprovação de projetos no Congresso de interesse do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-deputado foi condenado pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) à pena de sete anos de prisão. Em maio de 2015, Jefferson foi cumprir o resto da pena no regime aberto, após autorização concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso. Em 2016, ele foi indultado com base em decreto presidencial, e quitou sua dívida.

E agora indica a ministra do Trabalho em um Brasil com 12 milhões de pessoas desempregadas. Quando o país está nas mãos de personagens como Jefferson, Temer, Sarney e Padilha chega-se à conclusão de que a reconstrução de Brasília vai dar trabalho. É mesmo de chorar, Jefferson. É de chorar.