Top 30 dos homicídios no interior de SP

Operação da DIG-foto; Rogério Marques

Apesar da queda no índice, o Vale do Paraíba concentra 11 das 30 cidades recordistas em homicídios no interior de São Paulo em 2017. É muita coisa. O tema foi tratado em reportagem publicada na última quarta-feira. Aqui no blog Direto da Redação você, caro leitor, pode conferir o ranking completo.

Confira o Top 30

Campinas: 107 vítimas de homicídio

Sorocaba: 36

3º São José dos Campos: 32

4º Taubaté: 28

5º Bauru: 24

6º São José do Rio Preto: 24

7º Hortolândia: 23

8º Franca: 21

9º ao 11º São Vicente/ Praia Grande/ Ribeirão Preto: 20 vítimas cada

12º Sumaré: 19

13º Guaratinguetá: 18

14º e 15º Jacareí e Lorena: 17

16º ao 18º São Carlos/ Guarujá/ Rio Claro: 16

19º Caraguatatuba/ Americana/ Limeira: 14

22º ao 26º Pindamonhangaba/ São Sebastião/ Tremembé/ Jundiaí/ Piracicaba: 11

27º  ao 29º Ubatuba/ Paulínia/ Itanhaém: 10

30º Cruzeiro: 9 * (empatado com Marília, Sertãozinho e Assis)

Abaixo a matéria: http://flip.ovale.com.br/

 

Alma de plástico de um derrotado campeão invicto

Imbatível. O adjetivo define, com a precisão dos lançamentos milimétricos de Gérson, o meu Grêmio. O melhor time de futebol do mundo (pelo menos do meu). O escrete era formado por 10 craques de plástico branco e um arqueiro intransponível! Uma grande muralha feita de caixinha de fósforos, areia, pedras e chumbinho, envolvida em fita crepe e durex.

Time de meter medo, afinal a concorrência era das maiores lá em casa. Meu irmão Julio e eu tínhamos uma coleção com 300 times do mundo inteiro. A gente comprava alguns na loja, com o dinheiro que minha avó dava para tomar lanche na escola, mas a maioria confeccionávamos nós mesmos, usando vidro de relógios, tampinha de refrigerante, botões de camisa e palhetas. Tudo virava botão.

Ficávamos horas e horas recortando os jornais e revistas, pegando distintivos raros para criar novos times os escudos eram colados em uma folha sulfite, que era então devidamente xerocada na papelaria ali perto de casa.

Pode até parecer brincadeira, mas botão era coisa séria. Todos os jogos, mesmo os amistosos, eram registrados em cadernos, daqueles com espirais, que viravam súmulas.

E, em meio aquela numerosa coleção, o Grêmio era o número um. O melhor time! Chiquinho, Julio, Fernando e Dimas eram meus fregueses. E partida após partida, campeonato após campeonato, meu escrete tricolor seguia invicto. O bicho era garantido!

Com o passar do tempo, porém, o sabor das vitórias ficou diferente, ganhou um amargor. A cada triunfo, paradoxalmente, eu sentia que a derrota avizinhava-se. O medo de perder me dava frio na barriga.

E foi piorando. Quando o adversário pedia ‘pro gol’, indicado que ia executar um arremate, eu mexia o goleiro para cá, depois para, com o danado do medo de ter a meta vencida. O medo de perder aquela sensação de invencibilidade.

Então, numa manhã, logo nas primeiras horas, peguei o meu Grêmio, todos os botões, um a um, e guardei numa velha caixa de sapato. Aquele time não retornaria aos campos. O Grêmio, como campeão com alma de plástico, pendurou a palheta invicto. E derrotado.

Hoje, anos depois, pensando com meus botões, posso dizer — com a exatidão de um chute de Pelé — que aquela foi minha maior derrota nos campos de botão. O meu Maracanaço.

P.S. Anos atrás, na dedicatória de um livro, li um poema de Carlos Drummond de Andrade e, com um misto de saudade e melancolia, recordei-me dessa história, lembrei-me da equipe do Grêmio, do meu derrotado campeão invicto do futebol de botão. Em sua lápide, acrescentei o poema de Drummond:

‘A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade’.

* Texto originalmente publicado no livro Cartas Perdidas em um Mar de Palavras, lançado em 2015, e reproduzido na edição de OVALE neste fim de semana.

Gerúndio e seu coração Selfie Service

 

 

Gerúndio, caro leitor, estava na pior. Ele, um homem analógico de meia idade, ouvia música de fossa na vitrola e chorava, tendo na mão a foto de Apple, sua namorada. Ou melhor, ex-namorada.

Após dois meses, o amor que era para toda vida acabou sem aviso prévio. Apple, uma antenada jovem apaixonada por tecnologia, era o oposto de Gerúndio.

Era conectada, sabia de cor e salteado as novidades do mercado de celulares e afins, havia sido alfabetizada em ‘internetês’, adorava postar uma selfie e tinha milhares de amigos nas redes sociais. Para Apple, tudo tinha que ser para ontem.

Gerúndio tinha um celular velho, herdado do irmão mais novo, e adorava filme fotográfico — era fotógrafo e mantinha em casa o próprio estúdio de revelação. E, nas horas vagas, ia para a sala e ouvia seu velho rádio de pilha. ‘Pra que ter pressa?’, dizia.

Então, um dia, ao sair para comprar um smartphone que havia acabado de ser lançado, Apple achou um novo amor — com a ajuda de um aplicativo, que havia baixado no caminho até o shopping. Mac também era fotógrafo, mas parecia ser uma versão mais moderna do anacrônico Gerúndio. Uma versão repaginada.

Trocado, Gerúndio sabia a quem culpar: seu coração. Ele era o vilão dessa história. Era quem sempre o metia em enrascada, desde o colégio. Até que, de repente, em meio às lamúrias, o celular dele toca. Na tela, apareceu a imagem de um coração. Seria Apple? Ele atendeu correndo!

Gerúndio: Alô?!
Coração: Oi, aqui falamos da central do seu coração.
Gerúndio: Que? É trote?
Coração: Calma, senhor. Vou estar explicando direitinho. No entanto, antes, o senhor anote o número do protocolo: 101024. O senhor fez uma queixa sobre os nossos serviços, de acordo com a nossa ouvidoria. Certo?
Gerúndio: Sim, meu coração só me mete em furada…
Coração: Estamos aqui para melhor servi-lo senhor. Espere um minuto na linha, por favor. (Entra uma gravação: Para coração partido digite 1; em caso de saudade sem fim aperte 2; briga na família digite 3; plano de exercícios para melhoria da função cardíaca, aperte 4; ou converse com um dos nossos atendentes. Depois, voltava a música de espera: Coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João…)
Coração: Senhor, vou estar ajudando o senhor a sair dessa fossa. Vou estar lhe apresentando nosso sistema de telemarketing pessoal, senhor.
Gerúndio: Que diabo é isso?
Coração: Nossa assistência técnica analisou o caso senhor. O diagnóstico é que o senhor está fora de moda. Está ‘out’. Virou tipo o Orkut.
Gerúndio: Mas o que eu faço?
Coração: Bem,  apesar do senhor não ter cuidado bem do nosso departamento nos últimos anos, estamos aqui para ajudar. Vou estar lhe mostrando que hoje é preciso investir mais em sua imagem. O senhor nem tem perfil no Facebook, Instagram… pelo amor de Deus.
Gerúndio: Eu acredito que as pessoas se tornaram peças publicitárias de si mesmas, em um mundo onde o importante é o ‘parecer’ e não o ‘ser’. As pessoas mostram na tela apenas uma projeção de como elas gostariam de ser, de como queriam ser vistas, e não a realidade de como são.
Coração: Senhor, isso é só o seu cérebro falando e ele não entende de coração. O fato é que o senhor está por fora, chorando por amor. Vai querer nossa ajuda? Hoje, vivemos a era do ‘eu’, senhor. É Iphone, Ipad. Selfie vem de self (algo como ‘eu mesmo’, em inglês), o senhor está desatualizado.
Gerúndio: eu sei, eu sei… bom, tá vai, o que eu tenho que fazer para me atualizar?
Coração: vou estar passando as orientações, passo a passo, e o senhor vai bombar, do jeito que nós aqui gostamos.

E a ligação transcorre, caro leitor, com Gerúndio ouvindo atentamente o que o coração lhe dizia. Até hoje trocam mensagens, pelo WhatsApp. Com o passar dos dias, ele começou a transformação. Comprou um smartphone de última geração, entre outros produtos de tecnologia avançada, que custaram os olhos da cara. Passou a curtir mais. A compartilhar nas redes sociais. Em todas elas.

Trocou a velha câmera de filme por uma digital, se bem que 90% das fotos que faz hoje em dia são com o celular. Ah, e está ganhando a vida assim. Ele criou um aplicativo chamado ‘selfie service’, que monta pratos cenográficos para quem quiser postar na internet.

Gerúndio mudou da água para o vinho. Ou melhor, do celular tijolão para um iphone da Apple. Apple? Ah, aquela lá ele nunca mais viu. Hoje, Gerúndio tem milhões de amigos. E já até mudou o status de relacionamento: agora, nosso querido amigo está em um relacionamento sério com o personagem que criou de si mesmo.

Ser ou não ser, eis a questão

Ser ou não ser, eis a questão. Tendo em suas mãos o crânio de Yorick, o velho bobo da corte do reino, o príncipe dinamarquês Hamlet lança a frase mais marcante da dramaturgia imortal do inglês William Shakespeare. O famoso monólogo, que está presente nesta tragédia que narra uma história repleta de corrupção, traição e disputa pelo poder, cai como uma luva para os deputados federais brasileiros.

Sim, afinal cai novamente no colo dos parlamentares a decisão sobre o futuro político do presidente Michel Temer, alvo de nova denúncia da Procuradoria-Geral da República, desta vez por dois graves crimes: obstrução da Justiça e organização criminosa.

Com o aval do STF (Supremo Tribunal Federal), que barrou pedido da defesa para devolver o caso à Procuradoria, agora sob nova direção, caberá à Câmara votar se o inquérito será aberto ou não na Corte para investigar o envolvimento do peemedebista.

Caso a resposta seja sim, Temer, apontado como chefe do chamado quadrilhão do PMDB — veja só — na Câmara, é então afastado preventivamente pelo prazo de 180 dias.

Fato é que o teatro na Câmara, que em uma verdadeira comédia dos erros já barrou uma denúncia contra o presidente, em um dos atos mais nefastos da história do Congresso, com bilhões em emendas e também negociatas bem pouco republicanas no plenário, já está com o enredo armado.

Na primeira votação, a Câmara fez muito barulho por nada. Agora, não resta dúvida de que o presidente terá novamente o pescoço salvo pela sua base — as suas alegres comadres de Windsor da vez. A dúvida, neste caso, após o rio (ou melhor, lamaçal) de verbas despejado pelo Planalto na primeira votação, é qual será o custo para o presidente se manter no trono. Rei Lear? Que banquete vai ser servido na noite dos reis? Mercador de Veneza?

O peemedebista vai ser obrigado a engolir medida por medida, absolutamente refém que é do baixo clero do Congresso.

O sonho de uma política mais ética, justa e honesta, voltada para o bem do povo, não passou de um sonho de uma noite de verão, após o impeachment de Dilma Rousseff — apontada pelos seus opositores como a megera domada.

Muito em breve, no putrefato teatro de poder, as cortinas se abrirão e cada ator vai desempenhar seu papel. Neste jogo de cartas marcadas, a dúvida fico só em relação ao custo do ingresso. O povo brasileiro vai desempenhar — mais uma vez — o papel de Yorick, aquele velho bobo da corte. Em cartaz, no palco político, está a peça ‘Tudo bem quando termina bem’ — para eles, é claro.

Ser ou não ser, o bobo da corte, eis a questão.

 

Brasil condena Jô

Jogo entre Corinthians/SP x Vasco da Gama/RJ realizado esta tarde na Arena Corinthians, valido pela 24a. rodada do Campeonato Brasileiro de 2017. Juiz: ELMO ALVES RESENDE CUNHA. Sao Paulo/SP/Brasil – 17/09/2017. Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

O Brasil do rouba mas faz condena Jô.

O Brasil que gosta de levar vantagem em tudo condena Jô.

O Brasil do jeitinho brasileiro condena Jô.

O Brasil que sonega impostos condena Jô.

O Brasil do gatonet e dos DVDs piratas condena Jô.

O Brasil que falsifica carteirinhas e compra CNH condena Jô.

O Brasil do propinoduto e dos quadrilhões condena Jô.

O Brasil que ontem batia panela e hoje se cala condena Jô.

O Brasil de Temers, Geddeis, Cunhas e afins condena Jô.

O Brasil do roubado é mais gostoso condena Jô.

O Brasil que estaciona em vaga para pessoas com deficiência condena Jô.

O Brasil do álcool ao volante condena Jô.

Até mesmo o Brasil que vibrou com a malandragem de Nilton Santos, lateral brasileiro que enganou a arbitragem e evitou um pênalti escandaloso contra o Brasil na Copa do Mundo de 1962, condena Jô.

O Brasil hipócrita condena a hipocrisia de Jô, que não nasceu neste domingo.

Não seria, paradoxalmente, também mais um gol da hipocrisia?

Ah é, e daqueles chorados, no fim do jogo e marcados com a mão…

Ao crucificar Jô, o Brasil do uma mão lava a outra escolhe alguém para condenar por sua própria hipocrisia, sentado sobre seus próprios pecados à espera dos gols da rodada. Em clara posição de impedimento.

P.S. 1: Como torcedor do Corinthians, adoraria ter visto Jô se acusando e avisando o árbitro sobre a irregularidade no tento marcado contra o Vasco. O árbitro errou neste e em outros lances na partida — e em tantas outras. De todas as glórias do meu time, bicampeão mundial, a que mais me enche de orgulho é a Democracia Corintiana, movimento conquistou mais do que títulos. No futebol, não se vence apenas com gols.

P.S. 2: Já imaginou se o Brasil cobrasse de seus representantes a mesma ética que cobra do atacante Jô? Viveríamos certamente em um país mais justo.

Estão metendo a mão no Brasil

18/092017- Brasília – DF, Brasil- Cerimônia de posse da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. Foto: Marcos Corrêa/PR

Ninguém está acima ou abaixo da lei, disse em discurso nesta segunda-feira a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, observada atentamente pelas autoridades sentadas ao seu lado, no auditório Juscelino Kubitschek . À mesa, além da nova comandante do Ministério Público Federal, estavam outras quatro autoridades — o presidente Michel Temer (PMDB), os presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Rodrigo Maia (DEM) e o senador Eunício Oliveira (PMDB), além da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Destas, só a magistrada não é alvo de inquéritos por envolvimento em corrupção.

Temer, que desesperadamente tentou a suspeição do antigo procurador, defendeu agora que os poderes precisam caminhar em harmonia, lado a lado e de mãos dadas.

Seja como for, nas mãos da nova procuradora-geral, substituta de Rodrigo Janot, recai agora uma decisão importante para o país: ela vai pedir o encaminhamento ou suspender as investigações a respeito do envolvimento do presidente Temer com uma ‘organização criminosa’, que seria liderada pelo peemedebista direto do Palácio do Jaburu?

Temer, apontou Janot, seria o líder do ‘quadrilhão’ do PMDB e teria passado a mão em uma montanha de dinheiro.

Dodge, indicada por Temer, vai optar por colocar as mãos à obra ou lavar as mãos?

Gilmar Mendes, ministro do STF e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral, como de costume, já meteu a mão na cumbuca e, mesmo afirmando que não opinaria, afirmou que a nova procuradora deve ‘sim’ revisar ações de Janot, incluindo a denúncia contra Temer.

Mendes é habitué no Jaburu, mas garante que a sua amizade com o presidente não interfere em seu julgamento, não existe nada de uma mão lava a outra. Dá para botar a mão no fogo?

E por falar em Justiça, vimos o magistrado do DF que aprovou a ‘cura gay’ — trocando os pés pelas mãos, absolutamente, trocando respeito por preconceito. Mas voltemos ao tema central, a verdade é que a grave crise política não se restringe a Brasília, infelizmente.

Veja o exemplo, em São José, do vereador Maninho Cem Por Cento (PTB), denunciado pelo MP por usar um servidor para trabalho privado. Ou os vereadores de Taubaté, que omitem do eleitor quanto — de dinheiro público, de impostos — eles gastam nas viagem oficiais.

É um tapa na cara.

E você preocupado com o gol de mão do Jô?

Pode não parecer, no entanto a solução para este país passa pelas nossas mãos.

Qual é a região mais violenta de S. José?

sem vida, o corpo crivado de balas é coberto pelos policiais. O sangue escorre pela calçada, na entrada do bar. A área é isolada, para manter os curiosos à distância. É sexta-feira (15) e a rua Letícia Moraes Vieira, no Campos de São José, bairro localizado na zona leste da cidade, acaba de ser palco de um assassinato.

Mais uma para as estatísticas.

E o que elas dizem? Qual é a região mais violenta de São José dos Campos?

A resposta é: a zona leste. Dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apontam que a região é DISPARADA a recordista em homicídios em 2017, principalmente os bairros compreendidos no território do 6º DP (Distrito Policial) — tem sede no Vista Verde e abrange Novo Horizonte, Santa Inês, Jardim São José 2, etc.

Entre janeiro e julho deste ano a zona leste registrou 16 homicídios — foram 15 na região do 6º DP e um na área do 5º DP (compreende Eugênio de Melo, Galo Branco e etc).

O número supera a soma de todas as outras regiões da cidade — representa 57% do total. Na zona sul, foram 7 — foram 5 na área do 3º DP (com sede no 31 de Março, inclui Dom Pedro e Campo dos Alemães) e 2 na área do 7º DP (no Bosque dos Eucaliptos). No centro foram 4, zona norte um e zero na oeste.

A área do 6º DP registrou ainda um latrocínio (crime de roubo seguido de morte), assim como o 3º DP.

REDUÇÃO.

O ponto positivo é que os números de 2017 são inferiores ao registrados no mesmo período em 2016. São José teve queda de 42 para 28 vítimas — redução de 33%.

Na comparação entre 2016 e 2017, de janeiro a julho, a zona leste teve queda (de 20 para 16/ equivalente a -20%), na zona sul (de 13 para 7/ equivalente a – 46%), zona norte (de 2 para 1) e na zona oeste (de 3 para 0). No centro, o número subiu de 3 para 4.

Confira as estatísticas oficiais: http://www.ssp.sp.gov.br/Estatistica/Pesquisa.aspx

 

Quantas vidas tem o mar?

Quantas vidas tem o mar?
Com os pés na areia, cá estou a questionar,
sentindo no rosto a brisa leve que me acaricia ao luar

Quantas vidas tem o mar?
A onda castiga a rocha, insistindo em indagar,
feito a garrafa por ti lançada e que teima em retornar

Quantas vidas tem o mar?
Quantos mundos a beber e oceanos a desbravar?
Quantas estrelas a florescer e sonhos a navegar?

Será que somos só um barco à vela, e seu casco velho,
com um pôr do sol a iluminar?

Quantas vidas tem o mar?
Da estrela às caravelas, astrolábios a se beijar.
Agora, a constelação que era só dela, já se faz minha em alto mar
É tempo de içar velas e pôr o vento a remar
Sei que foi nas ondas dos cabelos dela que naufraguei em pleno amar.

Quantas vidas tem o mar?
Ah, navegar, navegar, navegar…

Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor!

Atenção! Respeitável público! Senhoras e senhores, estamos apresentando o maior espetáculo (de corrupção) da Terra, encenado direto deste imenso picadeiro chamado Brasília, que já está merecendo mesmo é ser chamado de ‘o fim da picada’! É melhor tomarem seus lugares ou poderão acabar caindo de costas, pois as atrações de hoje são capazes de despertar fortes emoções, são de cair o queixo .

Tem de tudo mesmo! Afinal, o espetáculo custa os olhos da cara — são centenas de bilhões de reais! Globo da morte, mulher barbada, homem-bala (ou bomba, desse último tipo são inúmeros, sempre dispostos a mandar tudo pelos ares em um acordo de delação premiada, evitando assim passar um tempo na jaula — vai que a Monga está zangada…) e mais milhões de fantoches com suas panelas emudecidas, dançando na mão do titereiro da vez.

O circo está sob nova direção há um ano, desde que a antiga chefe acabou gongada, saindo da companhia após ter sofrido um tombo, que foi provocado por pedaladas fiscais, em meio a uma vasta série de denúncias contra a administração.

No público, entre uma pipoca e um piruá, houve quem comemorasse, dizendo que a antiga dona já tinha ido tarde, pois tinha dado PT no circo. Já outros criticaram a decisão, vendo na medida uma puxada de tapete, um golpe protagonizado por funcionários tão ou mais implicados em denúncias de dinheiro da bilheteria.

No lugar da antiga dona, chegou um velho equilibrista, que desde então caminha a passos claudicantes e lentos na corda bamba e, mesmo com sua alta (estratosférica…) taxa de rejeição diante do grande público (anestesiado, ocupado demais no Fla-Flu político), é mantido no posto, com a ajuda (dispendiosa) de uma base numerosa de malabaristas, que fazem um papel ingrato: explicar (tentar explicar) o inexplicável.

Um exemplo? Um deles, muito íntimo do novo chefe, tinha R$ 51 milhões em dinheiro em seu apartamento. Vai ver ele é mágico, como o ilusionista que veio de Minas e, aparentemente, fez desaparecerem as acusações feitas contra ele. Dizem os detratores que ele teve ajuda de um levantador de (dois) pesos e (duas) medidas.

Que confusão! E os domadores têm a dura missão de colocar ordem no circo, antes que a democracia brasileira beije a lona de vez. O público, por sua vez, só assiste o mesmo espetáculo encenado há décadas, fazendo contorcionismo para pagar as contas no fim do mês, tendo no rosto um nariz vermelho de palhaço e uma dúvida: hoje tem marmelada? Tem sim, senhor!

Uma pirueta, duas piruetas, Bravo! Bravo!